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A Moça com Brinco de Pérola, Johannes Vermeer

Há quem afirme que a "Moça" desta tela foi uma das filhas mais velhas do pintor Johannes Vermeer (1632-1675), mas nada se pode afirmar sobre isto. Vermeer, hoje considerado o segundo maior pintor holandês do século XVII, esteve esquecido por quase duzentos anos até ser  resgatado, em 1866, pelo crítico francês Theophile Thoré Burger e servir de inspiração aos impressionistas, fascinados com tratamento da luz nas telas do holandês.  Em 1986, sua tela "Mulher Escrevendo Carta" foi avaliada entre 50 e 100 milhões de dólares, quando acabava de ser roubada de uma coleção particular na Irlanda. A tela foi recuperada em 1993 pelo agente secreto da Scotland Yard, Charles Hill (um ano depois de recuperar O Grito, furtada da Galeria Nacional de Oslo). A pesquisadora Tracy Chevalier oferece outra trama em torno da "Moça", versão que serviu ao flme de mesmo nome, estrelado por Scarlett Johansson.

A intensa sensibilidade, a sutileza das emoções fortes e a imersão no cotidiano de pessoas comuns são os traços marcantes que Tracy Chevalier apresenta em sua reconstrução histórica. Toda a trama é imaginada a partir de apenas uma pequena tela de Verrmeer, a Moça Com Brinco de Pérola. Pouco se sabe da vida deste que é considerado hoje como o segundo mais importante pintor holandês (depois de Rembrandt).

Vermeer (1632 – 1675)  nunca saiu de sua pequena cidade natal, Delft, onde encontrou um modesto mercado para sua pintura de gênero (de cenas do cotidiano). Protestante, converteu-se ao catolicismo para se casar com Catarina Boners, com quem teve quinze filhos. Suas telas são primorosas pela intimidade e elegante luminosidade que emana de atividades triviais de pessoas anônimas, serviçais quase sempre. O ambiente luminoso, a variedade de texturas e o equilíbrio das cores conferem a seus personagens um toque de dignidade e profundidade psicológica. Para o historiador da arte E. H. Gombrich, “Vermeer pintou naturezas-mortas com seres humanos”.
São conhecidos apenas 35 telas de Vermeer, que morreu aos 43 anos, deixando sua família em tal penúria que obrigou sua esposa a pagar com quadros as contas da padaria e do açougueiro. Curiosamente, sua obra não evidencia nenhum traço da agitada época que a Holanda vivia, afundada em ódio, fanatismo e violência que dividia a Europa na Guerra dos Trinta Anos (1618 - 1648). A Holanda se tornava uma potência dos mares, alimentada por uma próspera burguesia financeira e industrial. Neste período até o Brasil passou ao domínio holandês, em Pernambuco (1630 – 1654).  Suas telas, porém, evocam tranqüilidade, harmonia, sensibilidade, elementos que atraíram a autora, resultando num livro que parece escrito com as pinceladas de Vermerr. Como afirmou, Marcel Proust, em Em Busca do Tempo Perdido, “Vemeer era um enigma numa época em que nada se parecia com ele, nem o explicava”.
Há quem afirme que a Moça desta tela foi uma das filhas mais velhas do pintor, mas nada se pode afirmar sobre isto. Vermeer esteve esquecido por quase duzentos anos até ser  resgatado, em 1866, pelo crítico francês Theophile Thoré Burger e servir de inspiração aos impressionistas, fascinados com tratamento da luz nas telas do holandês.  Em 1986, a tela Mulher Escrevendo Carta foi avaliada entre 50 e 100 milhões de dólares, quando acabava de ser roubada de uma coleção particular na Irlanda. A tela foi recuperada em 1993 pelo agente secreto da Scotland Yard, Charles Hill (Um ano depois, este mesmo agente recuperaria a tela O Grito, furtada da Galeria Nacional de Oslo).

O filme baseado no livro de Chevalier teve o mérito de editar a imagem de tal maneira que pudesse pelo menos evocar a técnica do pintor. O livro, no entanto, é mais esclarecedor, tanto no que diz respeito aos últimos dias de Vermeer, quanto ao que se refere aos pais de Griet, a jovem doméstica da casa dos Vermeer. Ela teria sido a modelo da tela, usando os brincos da esposa, por sugestão da sogra. É simplesmente brilhante a descrição das cores e das formas desta tela. É emocionante observar como o turbante amarelo e azul (incomum para a época) acentuou os traços delicados do rosto de Griet, antes ocultado por uma toca de empregada. É estimulante desfrutar do resultado alcançado pelo equilíbrio do lado mais luminoso da tela, à esquerda, com o lado mais obscuro, à direita, através de um brinco inserido na orelha esquerda, que duplica a luz intensa, doce e enigmática dos olhos de Griet. Seus lábios vermelhos, úmidos e entreabertos, deixam transparecer algo da brancura dos seus dentes. Assim construída, a imagem ganha um mistério adicional pelo leve deslocamento do rosto e do olhar à esquerda em direção ao observador. Espantada com o próprio retrato, Griet declara ao seu atraente patrão: “Você viu a minha alma!!”.